quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Uma campanha que vale a pena - e cada vez mais urgente



O blog Casa do Torcedor em parceria com o Terreiro do Galo lança essa nobilíssima campanha, à qual o Futebólatras adere imediatamente.

Espero que o maior número de pessoas com voz e alcance na mídia possa fazer essa proposta repercutir o suficiente pra se tornar realidade.

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Casa do Torcedor e Terreiro do Galo lançam a Campanha “Paz nos Estádios - Blogueiros unidos em busca de Justiça”

Um atleticano baleado em um ponto de ônibus em Belo Horizonte. Mais de 40 corintianos feridos em um confronto com a Polícia Militar no Morumbi. Brigas e tiroteio entre flamenguistas, botafoguenses e policiais nas proximidades do Maracanã. E outras confusões em estádios de futebol por todo o país.

Esse foi o saldo de um domingo que não pode ser esquecido na história do futebol brasileiro. Apesar de terem chocado todos nós, esses acontecimentos são, infelizmente, comuns.

Quando o jovem Márcio Gasparim, de 16 anos, foi morto a pauladas em uma verdadeira batalha campal no Pacaembu em 1995, já esperávamos que fossem tomadas atitudes que diminuíssem a violência nos estádios. Não foram.

As confusões em estádios ou fora deles não cessaram. E a cada uma, fazemos uma pergunta que explica por que elas acontecem: Por que ninguém é punido? Nem torcedores vândalos, nem policiais truculentos e, muito menos, cartolas que incitam a violência inflamando as torcidas, são punidos.

A experiência do passado nos torna céticos quanto às atitudes que as autoridades devem tomar. Mas isso não deve impedir nossa mobilização em busca da paz nos estádios.

A Casa do Torcedor e o blog Terreiro do Galo, então, acabam de lançar a Campanha “Paz nos Estádios – Blogueiros Unidos em Busca de Justiça”. Queremos com ela unir blogs, jornalistas e demais pessoas que têm o mesmo ideal.

Nosso objetivo é pressionar as autoridades a aprovarem uma legislação específica que previna e puna a violência nos estádios e seus arredores. Uma lei que puna com rigor os responsáveis por atos de violência no futebol, sejam eles torcedores, policiais ou até dirigentes que incitem a barbárie.

Temos certeza que um dispositivo legal construído a partir da ampla discussão entre todas as pessoas que estejam ligadas de alguma maneira ao futebol é a melhor maneira de diminuir a violência no esporte e, assim, devolver ao torcedor a certeza de voltar são e salvo para casa após o simples ato de ver seu time jogar.

Faça parte dessa campanha! Clique na imagem e capture o banner. Pedimos a todos que aderirem a essa mobilização que enviem um e-mail para paznosestadios@gmail.com, dando-nos o nome e link para o seu blog. Quanto mais blogueiros se unirem nesta nobre causa, mais força teremos para exigir uma resposta dos responsáveis pela segurança do torcedor brasileiro. Ainda, a utilização deste texto para apresentar o projeto aos seus leitores poderá ser uma ótima estratégia para melhor informá-los da campanha.

Faça parte dessa grande corrente, independentemente das cores que seu clube veste. Contamos com a participação de todos os blogueiros apaixonados pelo futebol e, principalmente, apaixonados pela vida.

Atenciosamente,

Arnaldo Gonçalves – Casa do Torcedor

Christian Munaier – Terreiro do Galo

Arte: FredKONG

Censura no Nordeste


Por Kadj Oman, do www.vailateral.wordpress.com

A polícia brasileira, definitivamente, ainda faz questão de nos lembrar de 1964.

Aos amigos da Resistência Coral, não desistam. Liberdade de expressão é um direito básico de todo cidadão, e uma faixa pró-Palestina é tão política quanto um banner da Coca-Cola.

Se pode um, pode outro. Não tem nem o que discutir.

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Do site da Resistência Coral:

No último sábado (14/01/2009), durante a partida Ferroviário x Maranguape no estádio Plácido Castelo (Castelão), valendo pela fase semi-final do 1° turno do Campeonato Cearense de Futebol, aconteceu um fato condenável. A torcida organizada Resistência Coral mais uma vez teve um de seus materiais censurados. Nesta ocasião tratou-se de uma bandeira que contém os seguintes dizeres “Resistência Palestina”.

Antes do início da partida, a torcida organizada estendeu ao longo das arquibancadas algumas de suas faixas e bandeiras, como costumeiramente faz. No decorrer do primeiro tempo do jogo policiais pertencentes ao Batalhão de Choque aproximaram-se dos membros da Resistência Coral e, para o espanto destes e de outros torcedores corais, deram o aviso/a ordem de que a referida bandeira não poderia ficar exposta; estava proibida! Buscando entender o motivo da proibição os membros da Resistência Coral ouviram do capitão da Polícia Militar que a ordem tinha partido da administração do estádio e que a mesma alegava que a bandeira tratava-se de uma manifestação política e, por isto, não era permitida. Pasmos, os membros da torcida ainda argumentaram contra esta arbitrariedade, mas foi em vão.

Esta não é a primeira vez que a Resistência Coral foi censurada. Em mais de uma ocasião a faixa com os dizeres “Nem guerra entre torcidas, nem paz entre classes” teve que ser retirada a mando do policiamento presente nos estádios. Em 2006, na primeira vez que isto ocorreu, a polícia chegou também a rasgar com um punhal uma bandeira da torcida que continha o símbolo da foice e martelo, afirmando que “não permitirá mais referências ao comunismo nas laterais do campo”.

No início de 2008 membros da Resistência Coral impetraram um mandado de segurança preventivo com pedido de liminar, a fim de combater tais arbitrariedades e evitar futuras repressões, buscando o direito respaldado pela Constituição Federal à livre manifestação de pensamento. O processo tramita no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Torcer: uma missão para bravos

por Gabriel Brito

Abro este texto avisando que o conteúdo que se segue é um relato jornalístico-pessoal, o que na verdade é uma simbiose inevitável, mas que admitida pode conferir menos leviandade ao que se subscreve. Trata-se de uma tentativa de analisar e tirar conclusões dos acontecimentos registrados no Morumbi, à saída do clássico entre São Paulo e Corinthians, mais especificamente da nova tarde de violência e estupidez no país da Copa de 2014.

O tema está em todas as manchetes desta segunda, reverbera na cidade toda e será abordado (e investigado?) à exaustão. Mesmo assim, creio agregar algo ao debate relatando minha experiência, ao lado de meu irmão, na epopéia a que nos propusemos viver neste domingo.

É realmente inevitável dissociar os fatos ao final do jogo com o clima criado, por todas as correntes, durante a semana. No meu ponto de vista, o São Paulo FC tem a mais relativa das culpas. Não avisou com grande antecedência que haveria a controvertida, mas legítima, divisão de torcidas em 90% a 10% e estranhamente construiu o setor dos visitantes ao lado da arquibancada onde se localiza a Independente, isto é, os torcedores tidos como mais temíveis. Por que não fazer o visitante no setor amarelo, sempre o menos povoado pelos são paulinos e com 100 metros de distância para suas organizadas?

Por sua vez, o Corinthians, em nova atitude demagógica de sua diretoria, esperneou e direcionou expressões como ‘egoísta’, ‘pequeno’ e ‘irresponsável’ aos seus pares tricolores. Digo assim, pois não é a primeira vez que Andrés Sanchez ‘joga para a torcida’. Ao lado de seu departamento de marketing, vem incorrendo em tal expediente desde o rebaixamento do clube, quando precisou limpar sua barra em relação à gestão anterior e levantar fundos para bancar a monumental dívida com que a quadrilha Dualib, da qual era parte, brindou o alvinegro. E para isso não foram poucas as campanhas publicitárias a exaltar o amor que o corintiano (e mais ninguém aparentemente) tem pelo seu time. Em suma, eles fizeram a dívida, mas como somos nós, a torcida, que pagaremos, é preciso adular-nos e fazer-nos esquecer todas as impropriedades cometidas ao longo dos últimos sei lá quantos anos (só crianças acham que não acontecia nada antes da era MSI). Por isso só a fiel não abandona, só a fiel é roxa pelo time e só a fiel comparece ao estádio na pior. Sem fazer comparações com outras torcidas, são verdades incontestáveis, mas para quem sempre seguiu o time não são novidades e pegam mal em momentos como esse, podendo soar como certo oportunismo também.

Outro capítulo à parte coube à imprensa. Aventou o clima de guerra, repercutindo em excesso declarações tolas da cartolagem, preferindo deixar os esquemas dos professores Mano e Muricy em segundo plano. Tratou a iminência dos distúrbios como alegoria, mas seu papel mais pernicioso na história só começaria a ser protagonizado no anoitecer do domingo e principalmente nas páginas de segunda-feira. Sendo o que resta de jornalismo esportivo compromissado com o seu público, a ESPN Brasil esteve em cima da pinta e logo abordou o assunto de forma realista, expondo que o que ocorrera à saída era culpa, e muita, da PM. Colocou seus repórteres para circular, falar com torcedores (sim, eles também podem ser entrevistados) e, aí sim, colher a posição oficial, das autoridades. Tendo praticado jornalismo, ficou fácil auferir que a responsabilidade da PM na confusão que vitimou dezenas de espectadores (não gado) era no mínimo razoável, o que arrastou alguns outros veículos a mudarem um pouco seu viés chapa-branca, de Diário Oficial da União, na hora de contar os fatos.

Entretanto, Arnaldo Ribeiro, da Placar e ESPN Brasil, foi certeiro. “Nós, jornalistas, devemos também mudar um pouco, acompanhar o que passam esses torcedores nas saídas de jogo, pois realmente não vivemos isso”. Não é preciso dizer muito mais. Quem lê a cobertura de tais acontecimentos sabe que nossa imprensa só sabe ouvir fontes oficiais (policiais, dirigentes e promotores, que, aliás, são a mais nova categoria que se vincula ao futebol) e a partir disso tira suas conclusões de gaveta. “Os marginais, sempre os marginais”, “Ah, essas organizadas”, “Ui, não vá nunca mais ao estádio”, enfim, nada se discute a fundo, não se cobra, permanentemente, punição aos culpados quando um verdadeiro crime ocorre e se estigmatiza completamente o torcedor que ainda mantém sua paixão e faz questão de exercê-la. O jornalista Flavio Prado, que trabalha na TV aberta, se referiu aos cerca de 41 mil pagantes do clássico do paulistão do ano passado como ‘imbecis’. Isso pelo simples fato de terem ido ao Morumbi naquela tarde de Adriano em campo e do único clássico entre ambos em 2008, pois “quem vai ao estádio hoje em dia é isso: imbecil ou marginal. Quem não é de organizada, essa turma que só vai pra brigar, é acobertador de marginal”. Uma volta aos bancos da faculdade seria salutar, pois lhes faria lembrar que um mandamento mais do que básico, obrigatório, da profissão é apurar fatos e versões para além das fontes oficiais e oficiosas.

No entanto, tal preceito não deve constar na redação do Diário de São Paulo, para dar um exemplo. Pois o que lá se lê é o supradito, é a simbolização do trabalho midiático em tais circunstâncias. Apenas fontes oficiais. E mais: ouviram um torcedor alvinegro – anônimo – que imputou a causa da briga aos Gaviões e um morador do bairro que acusou os torcedores de promover um arrastão. E a partir desta altura do texto, torna-se útil ter estado lá.

Fiquei no setor ‘dos 90 reais’, isto é, um pouco mais vazio que o outro corralito alvinegro, logo, mais cômodo. Esperamos os tais 40 minutos para sair, calmamente. Um pouco antes de escurecer, começou a chover fino, o que irritou o pessoal ali presente. Então, começamos a pedir liberação para deixar a arquibancada. No que fomos atendidos pronta e tranquilamente. Comecei a descer a rampa, cheguei à saída e lá já me deparei com os ônibus do comboio de nossa torcida estacionados ao lado do estádio, no contorno da sede social, repleta de policiais, como não deixaria de ser. De repente, ouve-se um estouro, que naquele momento não causou grande preocupação em quem já havia saído. Entrei ao lado do meu irmão e mais um amigo no ônibus, a esperar pela partida. O clima era ameno e parecia que ainda tardaríamos um pouquinho a sair. Mais alguns minutos, ouvem-se mais uns 3 ou 4 estouros. Outro curto lapso de tempo e começam a voltar para os ônibus corintianos, aos montes, manquitolando, queixando-se de dores, quase todos nas pernas. Pensamos: “Bom, enfim, o pau comeu”. Pensávamos que era algo do tipo Gaviões x Polícia mesmo, e por alguma razão gratuita. E a partir daí, o trato dos oficiais mudou: começaram a ordenar aos motoristas que ligassem os ônibus e a tocar os torcedores para dentro deles, muitos ainda sem localizar o veículo que os trouxera. Uma clara e até ali inexplicável mudança de comportamento. E eu já estava contentíssimo de ter visto o esquema de escolta da caravana ter corrido bem na ida, quando saímos do Bom Retiro.

Empreendemos a saída do Morumbi pela Giovanni Gronchi, por onde também chegáramos. Sem explicação, fomos parados ali novamente, esperando outra meia hora, aproximadamente, para retomar o trajeto de volta para a quadra dos Gaviões, que de acordo com a própria PM é a melhor maneira de ir a jogos nessas circunstâncias de parcela minoritária do público. Eu e meu irmão tomamos a decisão de ir com os Gaviões por conta própria, pois já havíamos calculado que, ainda que descamisados, indo sozinhos e pelos trajetos normais correríamos risco de tomar algum susto, para dizer o mínimo. E como era evidente que a caravana das organizadas seria escoltada até a medula, concluímos ser mais seguro ir ao Morumbi com eles. Após essa nova espera, finalmente, por volta de 8 da noite, começamos de fato a ir embora. Contornamos o terminal João Dias, entramos na Marginal Pinheiros e nos mandamos – ainda houve tempo para uma pedrada na janela de nosso veículo, sem maiores consequências.

Portanto, que Gaviões e Polícia tenham se pegado é praticamente uma certeza, resta saber os motivos. A gaguejante entrevista do coronel Velozo foi insegura, seca e contraditória. Como pode ser visto no Blog Vai Lateral, as explicações não se sustentam.

“A torcida do Corinthians partiu pra cima da patrulha da PM, composta por apenas 5 policiais e 1 tenente, e esta revidou”. Eram, segundo o comandante, cerca de 500 torcedores. Primeiro de tudo, suspeita a conta de apenas 5 policiais para fazer a evacuação da torcida. (observação de quem foi ao jogo: eram muito mais) Depois, estranho que 500 torcedores tenham fugido de 5 policiais, mesmo estando estes atirando “apenas 3 bombas de efeito moral”, conta o blog, que ainda expõe o relato de outro torcedor.

“Começou a chover muito, a torcida decidiu se abrigar da chuva nos corredores embaixo da arquibancada e começou a aglomerar a torcida inteira, que chegou até perto dos portões. Aí entra a Tropa de Choque, eles nem perguntaram o que acontecia, viram a massa e já começaram a lançar bombas, balas de borracha, dar borrachada. E o resultado foi que ficaram mais de 3 mil pessoas espremidas num corredor, engolindo gás de pimenta. A PM começou a recuar todo mundo num blocão esmagador, era um verdadeiro rolo compressor humano se esmagando e entre os torcedores se ouvia os gritos de mulheres e até crianças sendo esmagadas, foi uma cena realmente chocante. E assim foi prosseguindo até que a massa espremida foi caindo de costas pela única saída de visitantes. Foi feito um mutirão para ir resgatando as pessoas dali do meio e o resultado é que tinha até mulher grávida desmaiada e entre os muitos feridos, vários com fraturas expostas. E como sempre as organizadas foram as culpadas e a PM está de parabéns”, conta o torcedor, não identificado mas que lá deixou um depoimento.

A versão oficial apresentada foi contradita pelo mesmo Velozo, ao final da improvisada coletiva. “Houve um estouro no estacionamento, os torcedores vieram em nossa direção e a partir disso nos defendemos”. Pois é, fica claro que não se sabia a origem do estouro, nem por parte dos policiais, nem dos torcedores. E mesmo assim o comandante admitiu (na frente de todas as câmeras!) que a reação natural e inicial foi a de revidar, partir para cima de volta, sem nem saber de quem era a culpa, já que até o fim da conversa com os repórteres o policial não afirmou de onde partira esse primeiro estouro. Portanto, a versão de ataque dos torcedores corintianos prova-se falaciosa, ao menos confrontando todas as versões apresentadas, inclusive a oficial. E os instintos de violência da PM ficam novamente desnudados. A propósito, alguém chegou a ver as matérias de capa de janeiro das revistas Caros Amigos e Le Monde Diplomatique? Pois é, lá fica exposto o quão ilibada e realmente irretorquível tem sido a conduta de nossas polícias, ficando fácil compreender o porquê de nossa grande mídia se satisfazer tão facilmente com os pareceres das autoridades.

Quanto ao arrastão, é uma rotunda inverdade. Até porque mal havia ‘o que arrastar’. Cercados que estávamos por policiais, que eram muitos como já dito, não havia a menor possibilidade de se empreender uma ação do tipo. Pelo fato de não haver espaço físico sobrando, de lá estar um contingente enorme de PMs e de nem sequer existir algum ‘alvo’ disponível para vitimizar, se assim decidissem os presumidos marginais.

Antes mesmo de chegar à sede da torcida alvinegra, recebi pencas de ligações de gente que queria saber como estavam as coisas. Meu pai, do Rio de Janeiro, começou a acompanhar o noticiário e já ia nos informando de tudo. E já àquela altura ele me dissera: “O PVC tá dizendo que a culpa é da Polícia”. Bom, a novidade em questão era ver gente da imprensa rapidamente apontando o dedo para o lado oficial da história, não o culpado em si. Pareceu uma luz no fim do túnel ouvir isso, talvez dessa vez a repercussão fosse outra, pensei. Hoje, como não poderia deixar de ser, tratei de acompanhar a repercussão. Parte da mídia de fato se sensibilizou com o lado do torcedor (quem sabe a ESPN não impõe um agenda-setting ‘do bem’), mas outra parte insiste em sua crença inabalável nas autoridades e instituições oficiais de nossa sociedade.

Como foi o caso do citado Diário de S. Paulo. Confesso que a partir disso perdi a vontade de continuar folheando outros jornais, que adoram destacar em fotos colossais as partes trágicas do jogo. “Mas é importante falar disso, é de claro interesse social”, responderão todos. Nenhum imbecil discorda. No entanto, tenho dificuldades em acreditar na vontade de resolver nossas mazelas sociais por parte de um veículo de mídia que na mesma capa coloca uma chamada para matéria sobre o casal recordista em tempo de beijo debaixo d’água e que dedica páginas inteiras a ‘celebridades’ que ganham a vida exibindo peito, bundas e abrindo pernas, inclusive em público. Fico aqui concatenando pensamentos e me sinto mortificado de saber que minha pobre cabecinha é incapaz de compreender o interesse social de tais questões.

Pensando bem, é tudo previsível mesmo, parte do circo. Pois como a grande imprensa tem abordado a crise econômica, senão pelo ponto de vista dos empresários, isto é, de seus causadores, que assim ficam livres para expressar quase sem contraponto suas versões dos fatos, sustentando assim a onda de demissões que já assola o país? E no Paraisópolis, como é a cobertura, senão um mero diariozinho de acontecimentos, evitando-se cuidadosamente entrar em explicações sociológicas dos fatos? E em Gaza, como foi a abordagem, senão pelo massacrante ponto de vista israelense, ignorando o fato de a fundação do Estado de Israel ser um ato de ocupação em si desde os primórdios e também omitindo o fato de que há muito tempo o Hamas aceita o direito a existir do Estado israelense e negociar de acordo com as fronteiras de 1967? Por sorte, saí há pouco tempo da faculdade, o que me faz ter fresquinho na mente a premissa inegociável de que o ‘jornalismo é, antes de tudo, uma função social’. Pois se com assuntos tão mais sérios que o futebol a mídia já esbanja sua (ir)responsabilidade social, o que pensar de uma mera partidinha de Campeonato Paulista? O jornalismo de vassalagem está em voga há muito tempo e não somos nós corintianos que estamos “desmascarando” alguma coisa.

O balanço que se pode fazer, obviamente, é negativo. Mas ao mesmo tempo reflito e vejo que não houve novidades. Ainda mais sendo visitante. Quem entende do que falo, sabe: o tratamento, Brasil afora, de torcidas forasteiras é absurdo, violentíssimo, provocador e humilhante. Fui ao Rio de Janeiro em 2007 ver um jogo contra o Flamengo e não deu outra. Fomos esculachados pela PM carioca, cujo linguajar é inacreditável, do começo ao final do jogo. Na entrada, fomos obrigados a entrar correndo, enquanto os ‘servidores públicos’ (um teórico sinônimo de polícia) giravam seus cassetetes para apressar a entrada, se assim pode ser dito. Lá dentro do Maraca, na hora da saída, ficamos esperando o momento da liberação, enquanto os oficiais tentavam a todo instante fustigar torcedores, através de xingamentos e ordens brutais, como proibição de ir ao banheiro. Isso até conseguirem e poderem se comprazer em conjunto espancando alguém, coisa que fizeram e testemunhei. Em outra visita ao Rio, meu irmão foi ver a semifinal da Copa do Brasil no moderníssimo, dispendioso e superfaturado Engenhão, de onde voltou com escoriação no braço, pois levou uma cacetada quando deixava o banheiro, o que aconteceu com muitos e muitos outros torcedores. Aliás, um vídeo-denúncia chegou a circular no YouTube, com duração de 8 minutos, com diversas atitudes dos oficiais registradas. Houve outras filmagens, mas muitas das pessoas que as fizeram simplesmente tiveram suas máquinas digitais ou celulares tomados e destruídos pela PM carioca. Além de meu irmão, ouvi esse mesmo relato de outras pessoas presentes.

Portanto, o que ocorreu no Morumbi foi apenas mais uma dose da mesma mistura que vem matando o futebol brasileiro nas arquibancadas. Polícia despreparado e/ou violenta, torcidas nem sempre dispostas a cooperar com a ordem e uma mídia ávida por relatar tragédias – basta ver que quase nada se falou da partida, com ou sem razão; cada qual com sua abordagem, mas não se falou. A grande diferença é que dessa vez ficou complicadíssimo lamber a bota da PM e referendar de primeira sua versão. Que sirva para que a mídia MUDE sua atual abordagem do futebol. Que pare de ignorar os inumeráveis sofrimentos do torcedor, de apenas noticiar os crimes relacionados ao futebol sem cobrar permanentemente por suas resoluções, de fingir que não percebe a forçadíssima elitização do nosso esporte querido, de se omitir com os horários cada vez mais pornográficos dos jogos. Aliás, como nessa sociedade todos os processos são impostos de cima para baixo, sugiro que essa elitização do jogo venha de cima também. Ou seja, troquem quem colocou nossos clubes e federações em penúria completa por gente qualificada, estudada em gestão, em marketing, que apresente algum estudo de mercado que justifique qualquer aumento de preços nos ingressos, que não podem continuar a preços tão irrealistas, muito menos quando toda a estrutura em volta permanece igual. Elitizem a gestão do futebol primeiro! Porque me parece impossível modernizar alguma coisa exatamente com as mesmas pessoas que passaram (só no pretérito?) anos sugando, roubando e arruinando nossas entidades esportivas. Nesse caso, a elitização, vejam só, parte de baixo, isto é, primeiro atinge o torcedor, depois.... bem, depois fica por isso mesmo, como tão bem sabemos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O rebaixamento tricolor no Paulistão de 90


Por Gabriel Brito

Bom, pessoal. Depois de muito tempo, este endereço está voltando à ativa. Não sei se o mesmo já foi dito em outros posts, fiquei com preguiça de ver, mas o fato é que retornamos.

E para começar bem, um tema que foi ressuscitado para as atuais discussões futeboleiras: o rebaixamento, ou não, do São Paulo FC no campeonato paulista de 1990.

Como se sabe, o regulamento não formalizava em sua redação os descensos, especificando apenas que os 14 melhores classificados do torneio estariam numa espécie de grupo de elite (denominado grupo 1) do torneio de 91, enquanto que outras dez equipes piores qualificadas comporiam outra chave (grupo 2). Apesar de a distinção dar toda a aparência de 'primeira e segunda divisões', os dois melhores colocados do grupo dos piores qualificados poderiam participar da fase final do certame ao lado de seis equipes advindas do grupo 1.

Com isso, houve respaldo legal na conquista tricolor de 91. No entanto, e com base na histórica tradição brasileira de confusões e obscuridades em torno de regulamentos, ficou a pecha de rebaixado para o clube do Morumbi. O raciocínio não é de se considerar absurdo, já que, apesar de não poder ser configurado oficialmente como tal, houve uma clara despromoção técnica da equipe, que ficou relegada a um 'subgrupo', enquanto que a maioria das equipes se enfrentava em uma chave de evidente superioridade técnica.

Portanto, dá pra dizer que o São Paulo encarou uma segundinha, sim. Não é oficial, mas será que isso será lembrado por torcedores rivais naquelas discussões regadas a álcool? Além do mais, há farta fonte de fatos semelhantes. Nos anos 80, a Taça de Prata enviou representantes às fases finais do Brasileirão da elite, a Taça de Ouro. Em 2000, o mesmo aconteceu na famigerada Copa João Havelange, com equipes até do grupo equivalente à terceira divisão entrando no mata-mata decisivo. E tanto a Taça de Prata quanto os módulos subalternos da JH eram considerados divisões de acesso à elite, ainda que num mesmo ano.

Enfim, os dois lados têm os elementos suficientes para bancar suas teses. O que está claro é que o debate popular dispensa a chancela da cartolagem. Este não é,nem será, o último exemplo. Vide discussões acerca de Mundial da Fifa, Copa Rio, Intercontinentais, Copa União...

Para apimentar, fica aqui um link, que me foi passado pelo jornalista (e brother principalmente) Leandro Iamin, com matéria da Folha de S. Paulo no dia seguinte a São Paulo 6 x 1 Noroeste, jogo que, apesar do resultado, confirmou a 'classificação' tricolor para o subgrupo do Paulistão 91. Talvez reflita o espírito da coisa.



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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Baile de debutantes

Por Felipe Bigliazzi

Amigos, eis a verdade: isso não está certo, nem aqui e nem na China. Não venham taxar este prestigioso colunista de anti-esportista e futeboleiro incorrigível. Mas é de cair o cabelo ver tantas derrotas dos esportistas do terceiro mundo. Ligo a televisão e me deparo com a glória dos gringos e o choro dos briosos canarinhos. Portanto, vamos falar de futebol, pois aqui quem manda somos nós.

Mas como amargura é coisa de outro mundo, não irei homenagear, como na semana passada, o MC Edmundo. Venho aqui informar sobre a primeira rodada do Apertura Argentino, que teve uma elevada média de gols (2,3 gols por partida) e atuações dignas de nota.

Por exemplo, os estreantes goleadores. Estes que debutaram da melhor maneira, fazendo gols. Facundo Sava, para delírio da pequena torcida do Arsenal e dor de cotovelo dos racinguistas, fez logo dois gols na sua estréia em Sarandí, no triunfo de 3-0 do time de Grondona sobre o Argentinos Juniors. O colombiano Jairo Castillo foi outro que anotou um “doblete” em sua estréia pelo Godoy Cruz, na vitória dos mendocinos frente ao Banfield por 2-1. O ex- Boca Mauro Boselli também mostrou que vai dar o que falar jogando pelo Estudiantes. Assinalou dois gols na derrota frente ao Rosário Central, o segundo do meio de campo, surpreendendo o arqueiro canalla. Outra estréia que abalou as estruturas do futebol argentino foi a do uruguaio Robert Flores, meia-atacante do River Plate que fez o gol de empate do conjunto millonario em sua visita ao Colón de Santa Fé. A sua atuação serviu para dar início a comparações exageradas com outro ídolo charrua que fez história em Nuñez. Nada mais nada menos que Enzo Franscescoli. Quem viver, verá...

Resumo da primeira rodada

O torneio teve início com a peculiar vitória do San Martin de Tucumán, que bateu o Huracán por 2-0, com gols do veterano Turdó (após linda linha de passes e desatenção descomunal da defesa rival) e do zagueiro Monge. O San Martin deu mostras de que poderá cumprir um papel digno neste campeonato, mesmo sabendo que terá de brigar muito para escapar do fantasma do rebaixamento que assombra os recém-ascendidos à máxima categoria do futebol argentino. O Huracán, sem querer ser mãe Dinah, terá um futuro dos bravos. Perdeu seus principais jogadores (Franzoia, Eduardo Dominguez, Turco Zarif, Hugo Barrientos e Barovero) e como vimos nesta peleja inicial, vai depender exclusivamente da raça dos garotos da base e do aguante da sua fanática torcida. A promoción é um perigo latente em Parque Patrícios, levando em conta que sua média é a oitava pior dos vinte clubes da primeira divisão. Força Globito.

Ainda na sexta, o Gimnasia La Plata recebeu o Newell’s Old Boys em seu estádio. E para desespero da metade azul de La Plata, o conjunto tripero foi derrotado por 1-0, com gol do lateral German Ré. Apesar de ser começo de temporada, a torcida do Lobo platense já começa a fazer contas. O Gimnasia é o pior colocado na zona de promedio e o nível futebolístico mostrado na primeira rodada é de arrepiar cabelo de cadáver em qualquer IML da capital da província bonaerense. O Newell’s Old Boys vem de fazer uma campanha aceitável no último campeonato. Apesar disso, sua situação não é das mais favoráveis, levando em conta sua baixa média de pontos nas ultimas três temporadas (é o 15º. no promedio). A equipe leprosa aposta na tradição de revelar bons jogadores e na experiência de jogadores rodados como German Ré e Schiavi . Promessa de uma campanha digna para escapar de vez da degola.

No sábado, o supra-sumo da rodada. Rosário Central e Estudiantes realizaram um encontro coronário no Gigante de Arroyito. O Central abriu 2-0 com gols de Zelaya e Danelón. No último lance do primeiro tempo, Mauro Boselli descontou, dando esperança ao conjunto de La Plata. No segundo tempo, Kily Gonzalez ampliou para o Central com uma bomba da entrada área, golaço. Só esqueceram de avisar ao goleiro “canalla”, Broun para voltar ao arco depois do festejo. E se Deus perdoa, Boselli não. Na saída de bola, com um tiro de 50 metros, o artilheiro do jogo diminuiu para 3-2. Recontra golazo. E ficou nisso, os rosarinos deixaram uma boa imagem neste jogo inicial. Há de levar em conta o esforço econômico que o clube fez para repatriar Equi Gonzalez e para contratar a jovem promessa do Huracán, Franzoia. O Central tem potencial para ser a surpresa do torneio. Com jogadores experientes e identificados com o clube, pode escapar de vez da zona da degola(é o décimo quarto na média das ultimas três temporadas, que definem os rebaixados). O Estudiantes é um dos favoritos ao título. Manteve a base, conduzida futebolisticamente pelo craque Verón e ainda trouxe belos reforços ofensivos (Gata Fernandez, Calderón e Boselli). O Pincha pode dar peleja, para o sofrimento ainda maior dos torcedores do Gimnasia.

Arsenal e Argentinos se enfrentaram em Sarandí. Vitória do conjunto local, 3x0. Estréia triunfal do ex-racinguista, Facundo Sava. Papu Gómez completou a festa. O Arsenal, que não está ameaçado pelo rebaixamento, pode desfrutar dessa tranqüilidade para realizar boa campanha neste Apertura, sob o comando do ex-comentarista e meia do Independiente, Daniel Garnero. O Argentinos Juniors está na mesma situação do seu rival na primeira rodada. Goza de tranqüilidade e de bons valores ofensivos, como Peñalba, Hauche e Rengo Diaz. Os bichos vermelhos do bairro de La Paternal poderão surpreender?

Outro estreante brilhou na primeira rodada: foi o Godoy Cruz de Mendoza, que venceu como visitante em Banfield, por 2-1, com gols do atacante colombiano, Jairo Castillo. Nicolas Bertolo anotou o empate transitório do time local. O conjunto da terra do vinho, como todo recém-ascendido, tem como meta escapar do perigo eminente de rebaixamento. Apesar da brilhante vitória na estréia, não terá vida fácil. O Banfield é uma incógnita do tamanho do cabelo de seu arqueiro Luchetti. Perdeu Cvitanich para o futebol europeu e poderá sentir muito a falta do seu artilheiro na luta por manter a categoria.

O jogo que encerrou a rodada de sábado foi também o mais decepcionante. Vélez e Independiente não saíram do zero no José Amalfitani. Apesar disso, as duas equipes prometem brigar pelo titulo. O Rojo de Avellaneda, comandado por Cláudio Borghi, tem uma proposta de jogo interessante. Tratar bem a bola é o lema de Borghi, principalmente pelo lado direito com Fredes e Rolfi Montenegro. A incorporação do jovem Lionel Nuñez poderá ser importante para suprir a ausência de Denis, que partiu para a bota, onde jogará no Napoli. O Vélez rearmou-se para o Apertura. Trouxe o atacante uruguaio Hernan Lopez, além do meio-campista Somoza. Portanto, abram o olho com o Fortín de Liniers, nenes...
Já o River Plate, debutou com um bom empate em Santa Fé. Saiu em desvantagem, com gol de Alejandro Capurro. Os comandados por Cholo Simeone empataram no segundo tempo, com gol do uruguaio Flores. O atual campeão argentino deve sofrer para defender o titulo, já que seu rival eterno dará prioridade ao certame nacional neste semestre. A traumática saída de Ariel Ortega poderá ser um obstáculo e veremos nas próximas rodadas a real situação do conjunto de Nuñez. O Colón se reforçou bem para está temporada e tem obrigação de realizar boa campanha, pois sua situação é bastante incômoda na tabela de promedio (17º., jogaria a Promoción).

Racing e desespero parecem que andam lado a lado. Ninguém em Avellaneda esconde a triste situação do clube. A meta é escapar do rebaixamento, custe o que custar (pouco de preferência, pois o clube esta falido e em situação institucional calamitosa). E para desgosto da sua famosa torcida, a Academia perdeu em casa na estréia para o Lanús. 2-0, gols do artilheiro José Sand. Os jovens jogadores não souberam consumar o domínio racinguista e pagaram caro. O Lanús manteve a base que conquistou o Torneio Apertura em 2007. A única baixa foi o atacante Lautaro Acosta, que partirá ao velho mundo, após a participação argentina nas Olimpíadas. A campanha granate é uma tremenda incógnita, já que no último torneio, com este mesmo time, o futebol apresentado foi desalentador, como diria Nelson Rodrigues: foi o anti-Lánus . Qual Lanús veremos? Eu não me habilito a dizer.

O San Lorenzo perdeu em casa para o Tigre, 1-0, gol de Jonathan Blanco. O Tigre não cansa de surpreender os apreciadores do futebol argentino. Os jovens talentos comandados por Diego Cagna seguirão mostrando a personalidade da temporada passada? Pelo que vimos domingo no Nuevo Gasômetro, não é de se duvidar. O Ciclón não me apetece. Perdeu Ramon Diaz e D’alessandro e apesar de ter um bom plantel, não o vejo como favorito. Bergessio e cia terão de fazer um esforço parecido ao daquela noite histórica no Monumental nas oitavas de final da Libertadores para levar a taça a Boedo.

O Boca sofreu no domingo frente ao Gimnasia de Jujuy. O primeiro tempo foi de amargar chimarrão de gaúcho, sem gols e com sono. No segundo tempo, com a entrada de Gracián e Noir, o Boca foi o velho Boca. O favorito ao título se deu ao luxo de desprezar a ausência de seu grande craque Riquelme, que serve a seleção olímpica. Palermo foi um show, participou de 3 dos 4 gols da tarde. O primeiro foi de Noir. O segundo de Gracián. O terceiro de Battaglia. O colombiano Vargas fechou a goleada em La Bombonera. O Gimnasia de Jujuy, que mostrou muita disposição no primeiro tempo, sucumbiu ao talento xeneize na etapa complementar. O lobo jujeño terá uma vida complicada nesta temporada; ocupa a penúltima posição na tabela de promedios, acima apenas dos primos platenses. Eis os gols da primeira rodada: http://www.youtube.com/watch?v=mNourBfHGHk

A segunda rodada terá inicio nesta sexta-feira, dia 15, e se estenderá até o domingo.
Promessa de “buen futbol”? Veremos papá, veremos.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A rodar mi amor

Por Felipe Bigliazzi

Amigos, eis a verdade: férias de inverno que não tem frio, e muito menos futebol, não é férias. Um precavido patriota irá me perguntar: “Mas e o campeonato brasileiro, não o satisfaz??”. Eu digo que não, falta o inglês (não o molho) e o argentino (pode ser um vinho, Cabernet Savignon de Mendoza, de preferência).

Nunca foi tão fácil acompanhar o campeonato argentino. O tal do Roja Directa (http://www.rojadirecta.com/), mudou de vez a vida social dos fanáticos por futebol internacional. Podemos desfrutar e acompanhar os campeonatos nacionais de quase todas as ligas importantes do mundo.

O campeonato argentino é um caso à parte. O canal de esportes que detém o direito de transmissão (Torneos y Competencias) arma um esquema ímpar para quem quer acompanhar o torneio na íntegra. Na sexta-feira, abre-se a rodada com dois jogos. O primeiro, às 19 horas e o segundo às 21 horas. No sábado, temos três jogos no final da tarde e um exclusivo às 21 horas, sempre com um dos três grandes em ação (Racing, San Lorenzo ou Independiente), lembrando que Boca e River, atuam sempre aos domingos no esquema pay-per-view (codificado como eles dizem em Buenos Aires, pelo canal TyC Max). Pasen y vean!

Abaixo as fichas e equipes-base das 20 agremiações que disputam a elite do futebol da Argentina, iniciada no dia 9 de agosto.


Argentinos Juniors

Estádio: Diego Armando Maradona (24.000)
Representa: Bairro de La Paternal
Time-base (4-3-1-2): Torrico, Leandro Fleitas, Matias Caruzzo, Andrés Scotti, Prosperi; Ortigoza, Mercier, Sergio Escudero; Rengo Diaz; Hauche e Peñalba
Técnico: Nestor “Pipo” Gorosito

Arsenal

Estádio: Humerberto Grondona “El Viaducto”(18.300)
Representa: Bairro de Sarandí, na cidade de Avellaneda(Grande Bs As)
Time-base (4-4-2): Mario Cuenca; Darío Espínola, Mosquera, Matellán, Cristian Díaz; Sebastián Carrera, Carlos Casteglione, Cristian Pellerano, Yacuzzi; Alejandro Gómez e Facundo Sava.
Técnico: Daniel Garnero

Banfield

Estádio: Florêncio Sola (35.000)
Representa: Banfield (Grande Bs.As)
Time-base (4-4-2): Lucchetti, Galarza, Victor Lopez, Bustamante, Devaca; Nicolás Bertolo, Maximiliano Bustos, Walter Erviti, Civelli; Raymonda e Barrales
Técnico: Jorge Burruchaga

Boca Juniors

Estádio: La Bombonera (Capacidade 50.000)
Representa: Bairro de La Boca
Time-base (4-3-1-2): Caranta, Ibarra, Paletta, Cáceres, Morel Rodriguez; Battaglia, Vargas, Datolo; Juan Roman Riquelme; Palácio e Palermo
Técnico: Carlos Ischia

Colón

Estádio: Cementerio de Los Elefantes (Capacidade 32.500)
Representa: Santa Fé (capital da província de Santa Fé)
Time-base (4-4-2): Blázquez; Aguilar, Garcé, Crosa, Garnier; Falcón, Capurro, Rivarola, Chitzoff; Valdemarín e Ramírez.
Técnico: Antonio “Turco” Mohamed

Estudiantes de La Plata

Estádio: Jorge Luis Hirsch, em reforma.Atuará no Estádio Único de La Plata (37.500)
Representa: La Plata
Time-base (3-4-1-2): Mariano Andujár, Angeleri, Alayes, Desabato; Ivan Moreno y Fabianesi; Rodrigo Braña, Verón, Benitez; Gastón Fernandez; José Luis Calderón e Mauro Boselli
Técnico: Roberto Sensini

Gimnasia y Esgrima de Jujuy

Estádio: 23 de Agosto (Capacidade 23.000)
Representa: Província de Jujuy
Time-base (4-4-2): Nereo Fernández; Rocco, Loeschbor, Desvaux, Franco; Ricardo Gómez, Ramasco, Pieters, Ariel Montenegro; Carranza e Calandria.
Técnico: Omar Labruna

Gimnasia y Esgrima de La Plata

Estádio: Bosque de La Plata (24.000).
Representa: La Plata
Time-base (4-3-1-2): Gaston Sessa, Ormeño, San Esteban, Ariel Agüero, Iriarte; Alderete, Esteban González, Ignacio Piatti; Mariano Messera; Pampa Sosa e Juan Cuevas
Técnico: Guillermo Sanguinetti

Newell’s Old Boys

Estádio: El Coloso del Parque Independência (38.000)
Representa: Rosário
Time-base (4-4-2): Germán Caffa, Pablo Aguillar, Schiavi, Insaurralde, Germán Ré; Machin, Bernardello, Pablo Pérez, Vangioni; Alejandro da Silva e Juan Ferreyra
Técnico: Fernando Gamboa

Huracán

Estádio: Tomás Adolfo Ducó (48.000) – Atuará no estádio do Argentinos Juniors, pois o seu passa por reformas de segurança obrigatórias.
Representa: Bairro de Parque Patrícios
Time-base (4-3-1-2): Oscar Limia, Carlos Araujo, Pablo Goltz, Kevin Cura, Chiche Arano; Leandro Diaz, Gastón Esmeraldo, Castillo; Pastore; Colzera e Casartelli
Diretor-técnico: Cláudio Ubeda

San Martin de Tucumán

Estádio: La Ciudadela ( Capacidade 30.000) – Atuará no estádio de seu rival local, o Atlético Tucumán
Representa: Província de Tucumán
Time-base (4-3-1-2): Marcos Gutiérrez, Noce, Monge, Villavicencio, Solana; Serrano, Cantero, Leone; Patricio Pérez; Ibáñez e Turdó
Técnico: Carlos Roldán

Godoy Cruz

Estádio: Malvinas Argentinas (Capacidade 21.000)
Representa: Província de Mendoza
Time-base (3-4-1-2): Ibáñez; Dutari, Franco, Sigali; Salomón, Garipe, Aguirre, Barrera; Martin Fabro; Leandro Caruso e Jairo Castillo.
Técnico: Daniel Oldrá

Independiente

Estádio: Doble Visera – Atuará no campo do Racing Club. A Doble Visera passa por reconstrução.
Representa: Avellaneda (Grande Bs As)
Time-base (3-4-1-2): Assmann, Fredes, Guillermo Rodriguez, Leandro Gioda, Lucas Mareque; Pusineri, Ledesma, Centurión; ‘Rolfi’ Montenegro; Leonel Nuñez e Ismael Sosa
Técnico: Claudio Borghi

Lanús

Estádio: Ciudad de Lanús (46.000)
Representa: Lanús (Grande Bs As)
Time-base (4-4-2): Bossio, Graieb, Hoyos, Faccioli, Velázquez; Pelletieri, Diego González, Blanco, Valeri; Biglieri e Sand
Técnico: Luis Zubeldía

Racing Club

Estádio: Juan Domingo Perón – Cilindro de Avellaneda( Capacidade 64.100)
Representa: Avellaneda(Grande Bs As)
Time-base (4-3-1-2): Martinez Gullota, Sosa, Avendaño, Mercado, Shaffer; Prichoda, Yacob, Zuculini; Maxi Moralez; Lugüercio e Sánchez Sotelo.
Técnico: Juan Manuel Llop

River Plate

Estádio: Monumental de Nuñez (65.600)
Representa: Bairro de Nuñez
Time-base (3-4-1-2): Juan Ojeda, Tuzzio, Ponzio, Cabral; Ferrari, Ahumada, Abelairas, Villagra; Buonanotte; Radamel Falcao e Salcedo
Técnico: Diego Simeone

San Lorenzo

Estádio: Nuevo Gasometro (37.000)
Representa: Bairro de Boedo
Time-base (4-3-1-2): Orión, Adrián González, Aguirre, Mendez, Torres; Rivero, Chaco Torres, Hirsig; Barrientos; Bernardo Romeo, Bergessio.
Técnico: Miguel Angél Russo

Rosario Central

Estádio: Gigante de Arroyito (41.600)
Representa: Rosário
Time-base (4-3-1-2): Jorge Broun; Danelón, Ribonetto, Braghieri, Jorge Núñez; Jesús Mendez, Leonardo Borzani, Killy González; Ezequiel González; Zelaya e Vizcarra
Técnico: Pablo Vitamina Sanchez

Tigre

Estádio: Monumental de Victoria (30.000)
Representa: Victoria e parte da Zona norte de Gran Buenos Aires
Time-base (4-3-1-2): Daniel Islas, San Román, Paparatto, Blengio, Arruabarrena; Blanco, Castaño, Giménez; Villegas; Luna, Lázzaro.
Técnico: Diego Cagna

Vélez Sarsfield

Estádio: José Amalfitani (49.700)
Representa: Bairro de Liniers
Time-base (4-4-2): Montoya; Díaz, Tobio, Uglessich, Papa; Cubero, Somoza, Nico Cabrera, Zapata; Hernan Lopez e Santiago Silva
Técnico: Hugo Tocalli

Todos os jogos são emitido pelo site http://www.rojadirecta.com/. Ou no link: http://www.justin.tv/widgets/jtv_live.r8444.swf?channel=brujita_veron03

Com os links é possivel acompanhar os principais programas de futebol da Argentina, anote na agenda:

ESTUDIO FÚTBOL(TYC SPORTS): Segunda a sexta , 13 horas. Debates com partipação de famosos cronistas argentinos: Alejandro Fabbri, Gaston Recondo, Horacio Pagani, Gordo Palacios, Leo Farinella e Marcelo Guerrero.

FÚTBOL DE PRIMERA (CANAL 13): Domingo, 22 horas. Compactos de todos os jogos da rodada.

PASO A PASO(TYC SPORTS): Domingo, meia-noite. Programa com reportagens de cada partida da rodada.

A desfrutar muchachos, a desfrutar...y tengo dicho

terça-feira, 17 de junho de 2008

Clássico fora do ponto

Por Gabriel Brito

Brasil e Argentina voltam a campo para mais uma edição do maior clássico do futebol mundial, que por si só já transforma a ocasião em motivo para churrasco, cerveja, camaradas e clima de jogo decisivo.

No entanto, o que parece é que nenhuma das equipes chega ao duelo nas condições mais desejáveis e esperadas. Pelo lado da casa, tem se desenhado um roteiro que para alguns pode ser positivo para o Brasil: time em crise, mal escalado, futebol fraco e técnico contestadíssimo. Pode não ser positivo para amanhã, mas em termos de Copa do Mundo chega a parecer melhor perder o jogo desta quarta (que seria só mais uma frustração recente), entrar em crise irreconciliável e trocar de treinador logo do que rumar para o hexa na África do Sul com Dunga no comando.

Com o crescente costume de avaliar o trabalho de um profissional por um único e obtuso olhar em torno dos resultados, e não também do rendimento apresentado, a primeira derrota em casa na história das Eliminatórias seria realmente providencial.

Porém, ainda prefiro ganhar da Argentina e torcer para que o bom senso esteja presente em nossos tomadores de decisão da CBF e que Dunga seja desligado do cargo qualquer que seja o placar. Nossas exibições no certame até agora, o insuportável esquema com volantes reservas no futebol europeu, o 0-2-agora-não-falta-mais-nada para a Venezuela e a má vontade em se relacionar bem com os principais jogadores do escrete já são motivos mais do que suficientes para que se encerre o estágio concedido pela dona CBF a nosso iniciante capitão do tetra na profissão de treinador.

Do lado argentino, Alfio Basile continua sua busca por impor um estilo argentino, respeitando a velha escola local, para o seu time, que vem de fraca atuação frente o Equador, quando se salvou no último lance. Entretanto, ao contrário do seu par brasileiro, Basile não corre risco no cargo e tampouco tem suas concepções futebolísticas rejeitadas por torcida e imprensa.

Com a obrigação de vencer, o Brasil deve fazer algumas alterações em relação ao time que não coçou o Paraguai nem mesmo com um a mais durante metade do jogo. Saem Diego e Josué, entram Julio Baptista (outro suplente na Europa) e Anderson. De louvável, a tentativa de dar ofensividade e criatividade ao time, ausentes em Assunção, porém, sem um armador de verdade, capaz de organizar e dar ritmo a equipe e ainda por cima com o já desnecessário Gilberto Silva, cada vez mais irritante e impreciso. Adriano e Luis Fabiano disputam a camisa 9, tendo o Imperador ótimas credenciais no jogo, que exatamente por este retrospecto poderia sair jogando.

Pelo lado visitante, sai Demichelis e entra Coloccini ou Gonzalo Rodriguez (bom para nós), enquanto Verón deixa seu lugar para Gago (bom para eles). No ataque, resta a dúvida entre Aguero e Cruz, mais adequado para encarar Lucio e Juan dentro da área, o que claramente lhes faltou contra os equatorianos. Há ainda a possibilidade de se entrar com 3 atacantes e um volante a menos, mas não parece essa a opção mais próxima de ser escolhida.

Para o Brasil, seria bom tentar ganhar o jogo adiantando a marcação, sufocando a saída de jogo e evitando que a bola chegue aos pés de Riquelme e Messi, o que permitiria aos celestes ter o controle do jogo justamente através de seus dois melhores jogadores. Afinal, é muito mais fácil roubar a bola de jogadores como Heinze, Mascherano e Burdisso do que de Roman ou Lio. O Equador fez isso em Nuñez e cortou muitas jogadas argentinas logo na nascente, reduzindo em muito as participações de Verón, Riquelme, Messi e Aguero em todo o jogo.

Apostar em marcação forte em cima de Riquelme e Messi é óbvio e obrigatório, mas poderíamos também nos preocupar em ter jogadores de melhor pé no meio de campo, algo que deveria ser sagrado com amarelinha. A única coisa que não pode acontecer, caso queira-se mesmo vencer o jogo, é deixar com que o toque de bola ‘argento’ se dê em nosso campo defensivo, deixando a partida ao gosto argentino, ou seja, posse de bola em excesso.

Como para amanhã entraremos com a mesma concepção de domingo e da Copa América, resta-nos apostar em um jogo mais físico, de pegada e jogadas em velocidade sempre que possível, de preferência pelas laterais, mais precisamente com Maicon em cima de Heinze. Ficou claro neste ciclo de Basile que os argentinos não suportam muito tal tipo de jogo. Seus jogadores são lentos e privilegiam um jogo mais técnico e sutil sobre o físico. Por isso a saída de Verón para a entrada de Gago é ruim para o Brasil, ainda que a Brujita seja um grande jogador.

Com as cartas na mesa, fica difícil imaginar que a brasilidade divina volte a se manifestar e mais coelhos saiam da cartola canarinha. Os dois estão em momentos instáveis, porém o Brasil caminha para mudanças drásticas e a Argentina já sabe o que quer. Possuem uma mentalidade que não muda há dois anos, enquanto mais uma vez dependemos de acertar uma grande partida isoladamente, o que para o futebol brasileiro é plenamente possível.